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Eletroterapia

Camadas Universais – Tinus Smits

Camadas Universais de Tinus Smits

Por Susilaine Moraes Aquino

AS SETE CAMADAS UNIVERSAIS DE TINUS SMITS E AS 7 MÁS INCLINAÇÕES

VII    TranscendênciaAvareza
VI      Bem e Mal – dualidadeInveja
V      Vítima e AlgozIra
IV     ProteçãoPreguiça
III     EncarnaçãoLuxúria
II      AutoestimaGula
I       AutoconfiançaSoberba
Sete Camadas Universais – Tinus Smits

O conteúdo compreende a linha contemporânea da homeopatia, assim como as propostas por Jan Scholten no Método Periódico e por Rajan Sankaran no Método das Sensações.  

Segundo Tinus Smits, ainda que se consiga regenerar as camadas com o tratamento homeopático, não se elimina a possibilidade de o indivíduo incorrer nos respectivos “Pecados Capitais”. No entanto, o não tratamento o torna mais vulnerável para cair na tentação de cometê-los.

O tratamento de cada camada estabiliza o paciente e minimiza tais riscos.

É importante regenerar todas as camadas já que ao se indicar um Simillimum, o terapeuta se pauta em sintomas individuais. No entanto, quando se trata tão somente camadas individuais, queixas e problemas específicos de determinado momento do paciente, não se trata o “terreno” que ancora suas tendências, ou seja, a raiz de seus desequilíbrios.

Ao se indicar medicamento Simillimum, resolve-se apenas o conjunto de sinais e sintomas que levou o paciente a procurar o tratamento. Mas no decorrer da vida, ele poderá apresentar outras nuances da mesma temática, com natureza similar, que seria a real essência do problema. É justamente o tratamento dessa essência que propõe Tinus Smits.

Todos os seres humanos compartilham as temáticas ou necessidades universais, e tendem às 7 más inclinações, conforme o contexto biográfico que estamos vivenciando atualmente. São elas:

I – Autoconfiança: quando a autoconfiança está abalada, observamos a manifestação da soberba, que cresce como consequência.

Atitudes extremas, normalmente comunicam a falta do conteúdo que está na fachada. A pessoa muito nervosa, revela na verdade a compensação de sentimento de insegurança.

Na realidade ela é muito mais frágil, e o que ela mostra é apenas a exacerbação do que ela gostaria de ter. Ela exagera no comportamento com a intenção de provar a ela mesma, que possui aquele atributo.

Em verdade ela está se defendendo, tal qual um animal ferido se apresenta mais feroz. É justamente quando se sente mais frágil que ela precisa se defender. Como mecanismo de compensação para a vulnerabilidade que a assusta.

A soberba é fruto de autoconfiança precária, é como apego a própria excelência, à autoimagem fixa que a pessoa construiu a cerca de si mesma. Para exemplificar, podemos pensar na Síndrome do Impostor, fruto da soberba. Inclusive pode ser derivada dos dois extremos da soberba, honrar a autoimagem da soberba, ou, por outro lado, pode ser fruto da autoimagem do “coitadinho”.

Na verdade, o que o soberbo quer é se sobressair, não importa de que forma. O que interessa a ele é o destaque seja pelos grandes atributos que julga possuir, ou a total falta de virtudes ou de qualificação que se percebe desprovido. Ele sempre se considera um “ponto fora da curva”. Não se encaixa, sempre se destaca, não importa em qual direção.

A pessoa que desenvolve a Síndrome do Impostor se apresenta como o típico arrogante, que louva suas próprias qualidades, aptidões e capacidades, que nem sempre correspondem ao que de fato ele possui.

É a pessoa que lê um livro de determinado tema é já se considera especialista na área. Autoengano total, dissimulação pela arrogância e pela soberba.

Por outro lado, o “coitadismo” é o outro lado da moeda na Síndrome do Impostor, não deixa de ser uma forma de soberba. Ao contrário, a pessoa tem habilidades, conseguiu reunir certo grupo de faculdades, de repertório, mas ainda se vê como a pior pessoa do mundo em termos de virtudes e de capacidade. Mantém a minusvalia, acredita que ninguém mais tem o seu problema, que o seu caso é muito específico, muito especial, grave e misterioso. É o destaque para o outro extremo, a fim de chamar a atenção para a sua miséria que não é de todo real.

A soberba é uma das inclinações mais difíceis de suplantar. O tratamento homeopático pode regenerar a camada da autoconfiança.

II – Autoestima: se estiver muito abalada, o indivíduo pode apresentar diversos problemas, tais como: a soberba, a gula, e até mesmo se tornar irascível.  

Há correspondência majoritária de incorrer em determinadas inclinações. Podemos correlacionar a baixa autoestima com a gula. Para exemplificar recorremos a Mitologia Grega e suas correspondências Arquetípicas. A exemplo do Cão Cerbero (com 3 cabeças), Guardião do Reino Obscuro de Adcus. Reza a lenda que se pode distraí-lo facilmente com uma comidinha apetitosa.

Cerbero é facilmente atraído por sua gula, caso a sua autoestima esteja precária. É a inclinação mais bruta, mais propriamente da matéria, para a concretude.

De todos os sentidos é o paladar o menos capaz de aprender remotamente a realidade. Para se sentir o gosto de o alimento é preciso prová-lo, não pode sentir o gosto virtualmente.

O sentido da visão é considerado o mais refinado, já que não requer o contato com o objeto para apreender sua realidade.

No caso do alimento é preciso ter contato com ele para obter seu benefício nutritivo. Isso torna clara a densidade e a relação do paladar com a materialidade.

Quando comemos em demasia é menos provável que consigamos extrair prazer em pormenores da vida. Não conseguimos refinar nossas percepções, estamos sempre abrutalhados, nos sentimos desvitalizados, pesados, em outras palavras, “casca grossa”, não conseguimos ter certa docilidade e nem disposição. O excesso de comida funciona como bomba atômica para a disposição, destrói o nosso poder de ação. Nos aterra demasiadamente nesta dimensão física.

É porta de entrada para vários outros vícios relacionados à boca, tais como: tabagismo, alcoolismo, entre outros. Faz parte do imaginário que a pessoa que para de fumar ganha peso, a tendência é que passe a consumir compensações, como os doces.

Em quase a totalidade das vezes em que sentimos vontade de comer, sem que o objetivo seja nutricional, o fazemos para preencher vazio (algo que sentimos faltar em nós) relacionado a falta de amor. A palavra autoestima significa: auto = a mim mesmo, e estima = zelo.

Quando não nos amamos, o que nos falta é a nutrição por meio de fonte amorosa incondicional.

A quem falta autoestima é impossível conseguir estimar outra pessoa.

É preciso forçar algum fluxo amoroso. Se a pessoa se forçar a fluxo amoroso e desinteressado para o outro, ela passa a se conectar e a extrair energia amorosa de alguma fonte, e assim consegue conceder aquilo que ela própria não tem.

Sem essa conexão a fonte de amor incondicional, a percepção da pessoa é que se trata de recurso finito. A pessoa só se doa pensando no retorno. É o amor “fatureiro” que só consegue dar a medida que também recebe.

Quando estamos conectados a fonte de amor incondicional, nos nutrimos com essa energia, de modo ininterrupto e ilimitado, assim podemos transferir esse amor sem nos esvaziarmos. É o fluxo contínuo, e isso repercute como autoestima verdadeira. Essa energia passa por nós, de modo contínuo, consequentemente, nós nos amamos.

Se durante a infância experimentarmos fonte de amor incondicional por nossos pais, justamente o que se espera deles, como se por meio de “cordão umbilical”, ao avançarmos no crescimento, conseguimos nos manter conectados a essa fonte suprema de amor.

O problema é quem nem todas as pessoas experimentaram dessa fonte incondicional com os pais. Muitos pais só conseguem investir nos filhos, esperando o retorno por sua doação. Consequentemente, esses filhos desenvolverão a crença de que o Amor é Escasso. Isso gera várias outras consequências, inclusive a autorreferência excessiva, na qual a pessoa permanece o tempo todo “contrabandeando” amor. E passa a ver tudo como prova de amor ou de desamor.

Neste contexto, tudo é levado para o pessoal, até mesmo o elogio direcionado claramente às competências da pessoa no trabalho, pode ser entendido como prova ou manifestação de amor a ela.

Todos os pais deveriam servir aquela “fonte de amor primordial”, e ao romper o “cordão umbilical”, os filhos estariam habilitados a se conectarem diretamente a fonte de amor supremo, que recebe diversas denominações, tais como: Deus, Cosmos, Natureza, Universo, Energia Primordial, entre outras.

Sem isso, a pessoa carregará a crença de que o amor é finito e condicional.

Existe um elemento de estabilidade e de sustentação do UNIVERSO, as coisas permanecem. Existe algo que dá suporte a nossa realidade. Ainda que nós tenhamos partido, tudo permanece.

É inegável que haja uma fonte de Energia Essencialmente Amorosa que tudo sustenta.

Há um princípio que garante a existência de tudo. Não importa quantas vezes nós erramos, nem o que fazemos, sempre teremos outras chances, outros novos dias.

Quando a pessoa consegue virar a chave, mesmo não tendo recebido a nutrição amorosa durante sua infância, ela pode deixar de ser “gulosa”, de ser carente. É justamente o que o tratamento homeopático trata nessa camada – a autoestima.

III – Encarnação: correlacionada a luxúria. A pessoa se sente instalada no mundo concreto, objetivo. Há quem não se sinta aqui nesta dimensão física, que tem dificuldade com o pragmatismo, que é sintomático da falta de aterramento nesta dimensão.

Nesta a camada a analogia é com Hera e Dionísio. Hera vive amargurada, irada, com muita inveja, e ciumenta ao extremo porque Zeus está sempre a traí-la. Em uma das traições, Zeus gerou seu filho bastardo Dionísio o deus dos prazeres, do vinho, da traição. E em Hera projetamos o universo da castração e o peso da responsabilidade. Hera: amargura, e Dionísio, ao contrário: dispersão, leveza, espontaneidade, alegria, e ainda nasceu deus.

Hera persegue Dionísio o tempo todo, ela é a representação do universo prático, do dever, da responsabilidade e da vida sóbria. Dionísio representa o lúdico e está sempre ameaçado pela instalação de Hera na realidade. Por considerar que realidade é Hera, ou seja, chata, amarga, ele prefere não encarnar, e fica sempre flutuando, saltando entre vários projetos, é aquele que “viaja na maionese”, tem inúmeras ideias e não se fixa na realidade.

A luxuria flerta com a pornografia, por consequência da falta de encarnação.  A pessoa tem visão personalizada dos outros. Vê o outro como objeto. Não estando encarnada na realidade, o que vê nas pessoas são potenciais parceiros sexuais, com o foco direcionado aos prazeres.

O vício em pornografia é sintomático da falta de encarnação. O indivíduo despersonifica as pessoas que passam a ser vistas como possíveis fontes de prazer.

Quando a pessoa está focada somente em prazeres ela não consegue perceber o outro com sua infinita complexidade, em lugar disso, o que vê no outro é um potencial objeto que pode lhe servir para obter prazer.

Há muitos parâmetros que justificam a luxuria, o lascivo hoje em nossa sociedade, recebe aplausos, é glorificado como “Mito”. Há permissividade excessiva, sem limites.

O desejo de se imortalizar, a luxuria. Neste contexto devemos analisar a sexualidade em sua manifestação mais carnal, biológica. O que condiciona esse impulso é o desejo de perpetuar a própria espécie. Só que como o indivíduo ainda não encarnou neste plano, mas tem consciência de que sua contraparte material é finita. Na ânsia de se perpetuar pode desenvolver vício em sexo, o sentimento de promiscuidade exacerbada com a ideia de se perpetuar, de transferir seu conteúdo genético. A pulsão pode ser guiada por essa percepção distorcida do sujeito acerca da sexualidade.

Quando o impulso sexual é reprimido a pessoa se castra, não se permite sentir prazer, pelo menos dessa procedência. E provavelmente tenderá à criatividade represada também. A energia sexual correlaciona-se fortemente com a produção criativa. Qualquer força que é reprimida se torna potencial explosivo, como uma “panela de pressão”. Se a criatividade é contida, a pessoa de torna extremamente teórica. E ser teórico o tempo todo, imaginativo e pouco prático é também sintoma de falta de encarnação.

A criatividade expressa, canaliza a energia sexual, não tendendo para a repressão e nem para a promiscuidade. É possível efetuar o trânsito energético. A pessoa consegue plasmar suas ideias no plano físico.

Quando a pessoa consegue efetivamente encarnar, consegue trazer suas ideias transformar em realizações.

As personalidades Coffea cruda e China têm muitas ideias, mas não conseguem transformar em ações, o que está relacionado a energia sexual represada ou reprimida.

IV – Proteção: correlação maior com a preguiça. Em caso da camada de proteção em deficiência, a pessoa desprotegida, à mercê de hostilidades o tempo todo, aciona o mecanismo de defesa mais óbvio. Ela constrói como “um casulo”, uma “bolha”, um microuniverso controlado, dentro do qual passa a viver com a ilusão de segurança.

O grande problema é que viver em universo artificial como esse, não permite que a pessoa se aperfeiçoe, se sofistique, que evolua.  Ela ficará privada de experiências, não desenvolverá habilidades para a vida na dimensão real e concreta.

Neste contexto, a pessoa ao viver em dimensão a parte, na tentativa de se proteger, limita suas possibilidades e acaba se mantendo na inércia. É possível estabelecer relação entre os deuses Hipnos e Poseidon. Poseidon tem sintonia grande com as águas, os mares, os rios e os lagos. Rege o elemento água, não apresenta mobilidade própria, tende a retração, é magnético, absorve a carga e as vibrações energéticas tanto positivas e benéficas quanto as carregadas e desqualificadas.

Por captar tanto, passa a se sentir pesada.  Em suas interações acaba por somatizar, a raiva, a tristeza, e tudo o que as outras pessoas sentem, sem conseguir diferenciar seus próprios sentimentos e sensações de os das outras pessoas. Com tamanha vulnerabilidade, e essa “carne viva” exposta o tempo todo, passa a desenvolver o seu casulo. Essa estratégia de proteção o levará a inércia. Seu dia a dia será sempre igual, não há oportunidade de crescimento.

A rarefação na camada de proteção se converte em preguiça. E a preguiça é estrutural, equivale a poupar esforços. O que é inerente ao ser humano, como fantasma sempre a espreita. É onde entra a figura do tirano, que se disponibiliza para fazer em seu lugar, mas sempre com a contrapartida, ele proporciona a pessoa viver na preguiça, mas em troca ela deve agir como “gado”, que faz tudo exatamente como ele quer, que não desista e que se submeta como escravo, sem nada questionar.

O tratamento homeopático visa a construção dessa camada de proteção e dos mecanismos de defesa e de ataque precisos.

Quando a pessoa cede sempre por preguiça, ou mesmo por fragilidade, acaba municiando o tirano por ele propor fazer aquilo que ela deveria fazer.

A preguiça gera cascata de problemas, escraviza o preguiçoso que não desenvolve autonomia.

V – Vítima x Algoz: correlaciona a ira. Trata-se de ciclo, em que a vítima (quem recebeu uma ofensiva), retroalimenta a lembrança da ocorrência, que se transforma em rancor, em mágoa e que acaba se aprisionando ao fato.

A maioria das pessoas que já foram vítimas de violência, de abuso, ou que sofreram algum tipo de ataque, sem que fosse capaz de transmutar a ofensiva mediante o “perdão” efetivo, permanece em sofrimento, aprisionado a ocorrência, mantendo a ferida sempre doendo.

Neste contexto a pessoa passa a descrever a vida sob aquele viés. Mesmo que aconteçam muitas vivências positivas em sua vida, ela limita sua biografia aquela ocorrência. O que inicialmente era medo, se transforma em ódio, depois em rancor, e na sequência em desejo de represália, de vingança é quando ela passa de vítima a carrasco.

Há quem defenda essa ideia de que aquele indivíduo que hoje manifesta atitude abusiva, foi anteriormente abusado. E que agora vive em ciclo. Portanto, a vingança em si é relativamente processo racional.

Para o autor, o ser humano é a sua própria narrativa. Se alguém deseja se vingar hoje, de outra pessoa por algo que a ofendeu há muitos anos, se vingará na verdade de alguém que já não é mais aquela pessoa que o agrediu. Hoje ela já é outra pessoa totalmente diferente.

A exemplo da Medusa, o ódio, o desejo de vingança não é direcionado apenas aquele que a violentou, mas a toda e qualquer pessoa, “transformando em pedra”, todos que passam pelo seu caminho. Falta fundamentação lógica. A pessoa desconta até em quem nada tem a ver com a causa de seu sofrimento.

Esse ciclo só é rompido com o desenvolvimento da “Arte do Perdão”, ou quando a pessoa se torna capaz de transmutar essa força em superação. Quando ela consegue virar a chave em lugar de retroalimentar o ciclo. É o caso da pessoa que foi vítima de abuso, mas decide se dedicar a evitar que outras pessoas sofram aquela agressão. Ela se torna terapeuta, professor, advogado, psicólogo, assistente social, médico, entre outras atividades que envolvem cuidado e proteção as pessoas. Ela usa o sofrimento com mola propulsora para o engrandecimento pessoal.

O destaque é o modo como a pessoa reage ao sofrimento, em lugar de sucumbir a ele, ela se sofistica e se fortalece.

Lamentavelmente, a maioria das pessoas nutrem o desejo de vingança, por isso a correlação com a ira.

VI – Bem x Mal: correlacionada a má inclinação inveja. É a máxima expressão da tendência ao bem e ao mal, a polarização. A dicotomia entre forças opostas que convoca a pessoa o tempo todo ao equilíbrio.

Surge quando a pessoa já tem maturidade para reconhecer o que é o bem e o mal, e sabe onde está cada um deles.

Quando é restaurada essa camada, o indivíduo consegue diferenciar o que convém do que deve ser evitado. É imprescindível desenvolver lucidez e discernimento para escolher o bem.

Se a pessoa hesita, não sabe exatamente o quer, pode se sentir esquartejada, e torna isso perceptível. Ela diz que sente o tempo todo, duas tendências que a atraem para direções opostas, antagônicas, essencialmente contrárias. E onde entra a inveja que é justamente fruto de a dicotomia muito marcante, resultante da falta de equilíbrio entre o querer e o poder. Se o querer é exacerbado em relação ao poder, a pessoa tem muito desejos, o que faz brotar a semente da inveja. Ela identifica a pessoa que consegue reunir tudo o que ela não consegue e passa a invejá-la.

É possível identificar gradação na inveja. Há níveis de inveja, o que inclui nível que pode ser considerado terapêutico, em certa medida, que não é tão grave, é mais ameno, mais como a manifestação de admiração, e que pode inspirar a pessoa a procurar realizar os passos que a levaram ao ponto que chegou. Ela transmuta a inveja em motivação e incentivo.

Mas no contexto, trata-se da inveja mais degradante, onde se deseja a ruína da pessoa invejada, para que ela se rebaixe ao nível do invejoso. A Bíblia Sagrada oferece grande exemplo com a história dos irmãos Caim e Abel. Abel sempre oferecia a Deus os melhores sacrifícios enquanto Caim nada se esforçava para fazer as suas entregas. Ao perceber que Deus se agradava mais com Abel, e sem conseguir lidar com isso, ele decide matar o irmão.

VII – Transcendência: quando a camada está fragilizada, torna a pessoa propensa a avareza.

Toda postura extremamente focada, padrão exagerado de comportamento, revela na verdade a tentativa de a pessoa esconder a falta de determinada atribuição.

No momento histórico em que vivemos, a perda de credibilidade da metafísica, do místico e das religiões é resultante do seu mal uso por líderes espúrios, que exploram a ingenuidade das pessoas para manipulação, doutrinação e benefício pessoal. Atualmente, a metafísica está ausente, e a humanidade tende a desconsiderar os mistérios, a desconfiar do caráter místico e das práticas religiosas. O universo espiritual passa a ser encarado como algo fantasioso, associado a meras crendices e superstições, destituído de significado genuíno e desprovido de qualquer poder real. Nesse contexto, perde-se a essência da simbologia e da poesia da vida que essas tradições costumavam carregar, o que leva a desvalorização da sua importância e impacto na compreensão mais profunda da existência.

Tudo está esvaziado de sua beleza natural, espiritual e metafísica. O que acaba por culminar na construção de mentalidade materialista.

O problema é que a humanidade é construída não somente pela realidade material, mas também a imaterial e intangível. E a parte imaterial precisa de nutrição imaterial.

Em essência pessoas são espíritos, que precisam ser alimentados. Para preencher o vazio resultante da desnutrição espiritual, a pessoa busca compensações.

Sem conseguir entender o imaterial, a pessoa passa a tentar preencher o vazio da transcendência com recursos marcadamente materiais. Assim, passa a acreditar que precisa de mais do mesmo, trabalha mais horas a fim de aumentar a renda, compra novos bens, carro mais novo, casa maior, muda de parceiro ou parceira. Mas nada a satisfaz.  

É essa correlação com a necessidade de consumo que justifica a correlação da camada da transcendência com a avareza.

E o melhor arquétipo para a avareza é Midas, como era avaro, fascinado por dinheiro, riqueza, opulência, pediu a deus que lhe concedesse o dom de transformar tudo em ouro, que além da riqueza, simboliza pureza, que é tanto mais tangível para o ser humano quanto mais ele se eleva espiritualmente. Só é possível tocar a pureza, com a evolução espiritual.

Portanto, o ouro revela o verdadeiro desejo de Midas que é a elevação espiritual, a busca pela essência, pela pureza.

Quando a pessoa começa a sentir essa provocação, a perceber o vazio espiritual, a primeira reação é a negação do vazio. Mas se ela nega que precisa do imaterial passa a manifestar a insatisfação exacerbando seus impulsos materiais. Ou seja, se torna avara, com a ilusão de preencher o vazio nunca será resolvido por outros meios que não o da transcendência do espírito.

A abordagem das sete camadas universais, conforme proposta por Tinus Smits, revela-se como ferramenta profunda e abrangente para o desenvolvimento integral do potencial humano. Ao considerar a interconexão entre diferentes níveis de experiência, desde o físico até o espiritual, essa abordagem oferece visão integrativa que vai além das manifestações superficiais dos sintomas.

Tratar todas as sete camadas universais significa reconhecer que os desequilíbrios físicos muitas vezes têm raízes em aspectos emocionais, mentais ou espirituais. Dessa forma, possibilita-se abordagem mais completa e eficaz para promover a saúde e o bem-estar.

A importância desse enfoque reside na maximização das potencialidades individuais. Ao tratar as camadas mais profundas e sutis, é possível alcançar cura verdadeira, não apenas a supressão de sintomas, mas abordar as causas subjacentes dos problemas. Isso não apenas alivia as queixas imediatas, mas também promove desenvolvimento mais amplo, permite que o indivíduo atinja seu potencial pleno.

Contudo, é crucial destacar a necessidade de procurar a orientação de homeopata regularmente habilitado e competente para garantir a eficácia e a segurança do tratamento. Profissional qualificado compreenderá a complexidade das sete camadas universais e será capaz de personalizar as intervenções homeopáticas de acordo com as necessidades individuais de cada paciente, garantir cuidado abrangente e direcionado para a maximização do potencial humano. Portanto, a busca por profissional competente torna-se passo fundamental para explorar e desenvolver plenamente todas as dimensões do ser.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LATHOUD, J.A. Estudos de Matéria Médica Homeopática, 3ª ed. São Paulo: Editora Organon, 2021.

RIBEIRO FILHO, Ariovaldo. Repertório de Homeopatia, 2ª ed. 4ª reimpressão. São Paulo: Editora Organon, 2022.

HOMEOBRAS – Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Ciência da Homeopatia.

FAVILLA, José Paulo – SIHORE MAX V7.0 – Sistema de Homeopatia Repertorial.

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